Amanhecer

Amanhecer

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A espera pela gestação

Acredito que a vida nos leva por caminhos necessários ao nosso aprendizado, e muitas vezes necessários ao aprendizado de outros. Daí que eu acho que quando uma energia se acerca de nossa vida, começamos a "tropeçar" em pessoas com problemas e dificuldades semelhantes aos nossos.

Tenho encontrado muitas pessoas que estão tentando engravidar e tem encontrado dificuldades em alcançar esse objetivo.  Algumas delas, tem um problema de saúde que dificulta ou impossibilita, outras, não tem motivo aparente mas a gestação simplesmente não ocorre. Engraçado é como elas justamente acabam comentando comigo desta dificuldade, geralmente começa com um comentário do tipo você tem filhos lindos e daí surgem as suas histórias.

Começo a pensar que há um motivo para isso, para que eu partilhe com elas a minha experiência, minha felicidade e outras histórias que cruzaram meu caminho, mesmo aquelas histórias que ainda não tiveram um final feliz.

Acredito que hoje, eu tenho a capacidade de acolher e entender a dor que passam. Algumas vezes até consigo ter um insight para definir sentimentos tão confusos, inexplicáveis e amargos.  Esses encontros me fazem rever a minha própria história e revisitar alguns sentimentos que vivi nesta fase.

Recentemente encontrei uma pessoa que não via faz um tempo e perguntei como ela estava.  A resposta veio daquela carinha de cachorro desamparado, com os olhos brilhantes de lágrimas, de que as coisas estavam bem difíceis.  No minuto seguinte, o que se seguiu a minha pergunta foi uma cachoeira de lágrimas e a história de um aborto espontâneo.

Depois de algumas tentativas de engravidar, de um processo de fertilização sem sucesso, finalmente o segundo processo tinha dado certo, mas no terceiro mês o aborto ocorreu.  Naquele momento pensei o que eu poderia falar para ela, as causas "médicas" do aborto, do tipo seleção da natureza  e outras coisas? Achei que não levariam a nada, deixa isso para o médico dela, então me limitei a deixá-la chorar e ouvir sua dor.

Me coloquei a pensar no que eu senti quando passei por situação semelhante, na frustração e nos outros sentimentos que cercavam minha vida naquela época. Ouvi seu relato a respeito da expectativa, da espera, da tristeza e de como sua vida se divide atualmente em três períodos num mês: o antes da ovulação, o durante a ovulação e o resultado final, quando ocorre ou não a menstruação.

Sabe que no final eu consegui dizer para ela que sei como é isso, e que a cada mês que o ciclo chega, vem com ele a sensação de que sofremos um novo aborto.  O aborto do sonho, do desejo de ser mãe e da esperança.  Mas não podemos esquecer que a esperança também pode renascer e com ela a fé de que tudo vai dar certo, mesmo que esse certo não seja exatamente do jeito que a gente imaginou que seria.
 
Eu acredito que nunca devemos perder a fé e a determinação.  No meu caso, isso foi determinante.  Hoje quando olho aquelas duas carinhas lindas da minha vida, posso dizer que coração aberto que tudo valeu a pena, estou sendo recompensada.

Beijos no coração

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