Novamente,
mais de um ano depois, resolvi de fato retomar esse Blog. Mais uma vez essa
retomada se dá por um "chacoalhão" que a vida me deu.
O
dia em que perdi o meu sorriso é de fato o dia em que deixei de sorrir e não
pensem que eu estava deprimida ou outro babado psicológico qualquer, afinal
quem me conhece sabe bem que eu tento não dar espaço para esse fantasma. Tristeza todo mundo tem, depressão é doença.
Fui
acometida de uma “Paralisia Facial Periférica” que me fez perder os movimentos
do rosto no lado direito. Começou no dia 29/05, meio de feriadão prolongado e
no meio de uma viagem com minha família. Começou como quem não quer nada, com
um leve tremor embaixo do olho e no final do dia eu estava com a face direita
congelada.
Descobri
que eu não fechava o olho, não conseguia falar direito, que não conseguia
mastigar, que estava com o lado do rosto meio adormecido, igual àquela sensação
de quando tomamos anestesia no dentista, só que ao invés da região de dente
estava em todo o lado direito do rosto.
Passado
o susto inicial e descartada a possibilidade de uma causa mais séria do tipo
AVC, aneurisma, vírus e etc, fui levada a pensar o que significa na minha vida
o rosto e as expressões que ele demonstra, sem falar no fator da vaidade.
Eu
adoro sorrir, adoro maquiagem, adoro todas as caretas que são possíveis fazer
para enfatizar um diálogo, uma frase e etc.
Alguém
ai já pensou no que representa na nossa vida os movimentos do rosto, é muito
mais do que uma vaidade, do que seu cartão de visita e nem estou pensando em
feio e bonito porque esse é um conceito muito subjetivo. Estou falando de como
usamos nosso rosto todo em nossa comunicação com o mundo, em como usamos todos
os músculos da face para comer, falar e até para fechar os olhos para dormir.
O
dia em que perdi o meu sorriso significa o dia em que eu não conseguia mais
abrir um sorriso largo ou dar aquele de cantinho de boca, significa o dia em
que eu precisei encarar os monstros que andam me rondando. Mas acho que significa
principalmente o sinal de que meu corpo não concorda com o jeito que estou domando
esses monstros, de que algo não anda bem comigo, de que o stress ocupou um
espaço que não lhe pertence em minha vida.
A
paralisia facial apresentou a oportunidade de como diz um conhecido, “sacudir o
bambuzal” e rever posições e posturas em minha relação atual com a vida e com
as pessoas a minha volta.
Ouvir
do meu filho mais velho as perguntas: - Mamãe você tá feliz ou você tá triste? -
Mamãe você tá brava? - Mamãe você tá com dor? Foi horrível porque de fato ele
não conseguia ler em meu rosto o que eu estava sentindo e criança é bem
sensível as nossas expressões. Mas
ver a inocência e a falta de preconceito deles também foi lindo, ao
passo que eu não podia dar o sorriso que eles esperavam o mais velho resolveu o
problema pedindo para eu dar um sorriso e com seu dedinho levanta o lado do
rosto que não mexe e diz: Agora está bom.,você está dodói, mas vai sarar.
Outra
situação desconfortável foi sentir o olhar estranho das pessoas a minha volta,
com aquelas caras de “ué” só porque eu estava falando esquisito e estava com o
rosto torto. Está sendo um período de
enfrentamento interno, externo e da descoberta de novas possibilidades.
Mas
vamos lá, fisioterapia e sessões com a fonoaudióloga têm ajudado bastante e
quem sabe em breve estará tudo novamente diferente.
Enquanto isso meu estágio para faquir continua e já eliminei 7 quilos, então mesmo as situações ruins sempre guardam algo de positivo. Risos.
E
o meu sorriso... ele está voltando devagarzinho...meio tímido ainda já começa a dar sinais de sua
existência. Que feliz que estou eu posso dar uma sorrisinho de novo.
Bjs
no coração