Amanhecer

Amanhecer

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Família do coração

Já comentei antes como em nossas vidas são colocadas pessoas para nos ensinar, acolher e ajudar, mas como temos livre-arbítrio, cabe a nos aceitá-las ou não. Essas pessoas são trazidas até nos, muitas vezes, como presentes da vida em bandejas de prata ou como diz uma pessoa querida, em forma de bandeja cheia de docinhos. Nos cabe somente a escolha de nos servirmos ou não, de compartilharmos nossas vidas ou não com esses verdadeiros presentes.

Tive a sorte de ter um encontro muito especial em minha vida e principalmente, de reconhecê-lo.  Acredito que ter uma família é muito importante, principalmente quando temos afinidade e carinho pelas pessoas que a compõem, mas encontrar uma segunda "família", que sem nenhum laço sanguíneo se dispõe a nos aceitar e acolher é realmente um presente de Deus.

Já tínhamos uma amizade muito estreita com nossos "compadres", antes mesmo de toparmos com algumas pedras bem duras em nosso caminho.  Quando a perda dos nossos gêmeos ocorreu, encontramos nos pais de nossa amiga, nossos pais de coração.  Esses amigos estiverem a nossa disposição durante todo o ocorrido, nos dando ajuda nas situações práticas, suporte para apaziguar a nossa dor e amor para encher nossos corações tristonhos naquele momento.

São nossa querida família de coração, com quem temos a certeza de poder dividir não só os momentos de alegria, mas também as nossas tristezas e dificuldades. Esse é um laço tão forte quanto o sanguíneo e até mais especial porque é um laço de fé e de amor, que por vezes nos torna tão parecidos que é impossível de explicar.

Nascemos em uma família que nos foi escolhida por Deus, mas quando encontramos com a nossa família do coração podemos dizer que nós é que a escolhemos, aceitando prazeirosamente esse presente da vida.

E assim, essa nossa família, antes pequenina, acabou crescendo um pouco mais.

Beijos no coração


quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Espera II - nossos encontros

...(continuação)

Mas essa maturidade foi alcançada a duras penas e enfrentando várias frustações. Neste  processo, tivemos a colaboração e participação de outras pessoas: amigos e família, que nos deram apoio a cada dificuldade que encontramos.

Não devo esquecer também do terapeuta que me acolheu e apoiou, através de um trabalho de auto-conhecimento e aceitação que foi de grande importância para lidar com essas frustações e questionamentos. Esse trabalho serviu de base para a decisão de continuar tentando, além de suporte durante o processo de gestação do nosso primeiro filho.

O encontro com esse terapeuta se deu logo após a perda dos gêmeos, que nasceram prematuramente de 23 semanas e não sobreviveram.  Naquela época,  nascimentos prematuros de gestações com menos de 25 semanas, ainda eram considerados inviáveis e como a médica neonatologista nos disse, a única coisa que poderiam fazer era dar conforto aos pequeninos para evitar que sentissem dor ou qualquer outro incômodo, mas o fim seria apenas questão de tempo. E assim foi.

Quando cheguei ao consultório desse terapeuta, os sentimentos de frustação e fracasso eram os meus companheiros, além de uma profunda tristeza e dor.  Por mais que eu tentasse dizer para mim mesmo que tudo tinha uma razão de ser, de verdade eu não conseguia sentir isso.

Foi justamente o trabalho com esse profissional que me permitiu viver o meu luto e minha dor, que reencontrei o meu amor-próprio e minha vontade de viver.  A partir daí, o processo de cura se iniciou e foi através dele que encontrei a minha determinação e persistência para continuar nesta busca, mas não mais como sendo o objetivo primordial de minha vida e sim como uma "permissão" minha para algo que poderia ou não acontecer. Independentemente deste fato eu continuaria a existir e ser feliz.

Outros encontros importantes aconteceram neste período.  A lista aqui seria bem grande, então quero apenas registrar o carinho que tenho por todas essas pessoas, registrando o quanto cada uma delas teve importância neste processo.  Deixo meu profundo agradecimento por todos que nos apoiaram, suportaram e até dividiram conosco suas histórias e suas vidas.

E acredite, a espera tem um fim e o sonho pode se realizar. Tenha fé.

Beijos no coração
  

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A espera

O que é a espera em nossa vida.  Longa ou curta, o tempo é relativizado pelo nosso desejo ou não de que o fato envolvido pela espera se realize. Daí que 30 minutos podem parecer uma eternidade para uns e para outros, um piscar de olhos.

O que se dizer então de nove anos?  Houve um tempo em que esses nove anos, pareciam realmente uma eternidade e que o desejo nunca ia se realizar.  O questionamento entre determinação/persistência ou estúpida teimosa, por vezes foi meu companheiro.

Hoje, dois anos após o nascimento do meu primeiro filho, esse tempo de nove anos de espera me parece que foi o tempo necessário, certo e preciso para esse grande acontecimento em nossa família.

Durante esses nove anos, muitas vezes cercados de muita decepção, tristeza, sensação de solidão e de profunda agonia tivemos encontros maravilhosos, com pessoas e situações que nos foram proporcionadas pela vida, justamente por essa busca.  Foi neste período, que estabelecemos uma verdadeira união com nossa família do coração. Foi nesta mesma época, que encontramos e descobrimos que ainda existe bondade no coração de muitas pessoas e principalmente, que nosso problema não era nem de longe o pior do mundo, apesar de que por vezes era essa a impressão que tínhamos.

Hoje compreendo que esse tempo foi necessário para nos  permitir os encontros que tivemos, para nos tornamos pessoas melhores, mais flexíveis, maduras  e para termos testada a nossa fé e porque não, a nossa determinação.  A maturidade e estabilidade emocional que essa experiência nos trouxe, com certeza também é fator de muita importância para nosso caminho de agora, de pais e educadores que teremos que ser.

(continua...)

Beijos no coração