Amanhecer

Amanhecer

terça-feira, 13 de julho de 2010

Síndrome do Primeiro Acontecimento

Passou a primeira semana de retorno ao trabalho e todos sobrevivemos.  Imaginei, do alto da minha inocência, que o retorno às atividades profissionais, após o nascimento do segundo filho, seria mais fácil que após o nascimento do primeiro. Doce ilusão.  Na verdade foi bem mais estressante.

Imagine que durante 5 meses em casa eu tive a oportunidade de ver coisas do meu primeiro filho que eu não estaria lá para ver.  A sua experiência de ida para a escola, os primeiros amiguinhos, o evolução no desenvolvimento da fala e o uso de novas palavras dentro de conceitos totalmente corretos.  Tinha me esquecido de como é gostoso curtir esses momentos de "primeira vez".

Me dei conta, na minha última sexta-feira de licença maternidade que eu perderia isso e voltaria a ter a sensação de ser a segunda pessoa a saber, já que não estarei lá o dia inteiro para ver os acontecimentos.  E desta vez, são dois. Entrei em crise, ao sabor recente da lembrança do primeiro sorriso banguela do mais novo e ao som das primeiras musiquinhas cantadas pelo mais velho eu pensei algumas vezes em desistir e ser somente "mãe de profissão".

Por outro lado, também pesava o fato de como considero que a vida profissional é importante e como a minha independência financeira também é.  Desde de muito cedo  trabalho, desde de muito cedo descobri a importância de ser independente, produtiva e de valorizar as conquistas pessoais que temos a oportunidade de alcançar através do trabalho.  E a pergunta veio: como poderei ensinar a eles esse valor tão importante para mim se eu abandonar o meu trabalho agora?

Achei que nesse momento uma decisão poderia ser muito emocional, então voltei e descobri que é bom retomar esse aspecto da vida.  É bom saber que as pessoas sentiram minha falta, saber que tenho um outro lugar no mundo além do lugar de mãe.  Apesar da dor da saudade da primeira semana, a segunda começa com aquela sensação de que é necessário retomar a minha vida, que para ser boa mãe, no meu caso, é também necessário ser profissional e ter outras responsabilidades. Retomar a minha vida é ser esposa, mãe, profissional, amiga e etc.  Enfim é tudo junto mesmo.

É tudo isso que me faz manter firme a minha proposta de criá-los para o mundo e para a vida.  Isso só será possível se eu me sentir completa e feliz com minha vida.  Então vamos lá, porque agora a corrida é ainda maior.

A vida é isso aí.

Beijos no coração